ENSAIOS E TEORIAS

Hoje vamos conversar sobre alguns ensaios de Francisco Moretti, tradução de Maria Beatriz de Medina. O livro é Signos e Estilos da Modernidade, um livro teórico, sobre formas literárias, com 367 páginas.

As obras literárias citadas no livro com mais freqüência são: Drácula de Bram Stocker, Frankestein de Mary Shelley, Ulisses de James Joyce e as tragédias de Shakespeare.

Em cada capítulo ele faz reflexões literárias tecendo algumas comparações das obras com o período em que foi escrita e o que acontecia socialmente.

ALGUNS TRECHOS DO LIVRO

No capítulo a Alma e a Harpia:

“É um baixo relevo de um antigo túmulo grego no Museu Britânico. Mostra uma harpia – a parte de cima do corpo é de mulher, a de baixo de ave de rapina – levando embora um pequeno corpo humano; segundo os especialistas, a alma do falecido. Embaixo a harpia firma a alma com força em suas garras, mas em cima seus braços gregos a seguram num abraço atento e carinhoso. A alma nada faz para escapar do apresamento da harpia. Parece calma, até relaxada. É provável que não goste de estar morta; se gostasse não haveria necessidade de harpias. Mas ao mesmo tempo, a alma deve saber que não há como fugir à força das garras. Por essa razão não baixa seu olhar, mas descansa a cabeça, confiante, nos braços da harpia. Exatamente porque não há como fugir, prefere iludir-se com a natureza afetuosa, quase maternal da criatura que a arrasta para longe em seu vôo.”

No capítulo O Grande Eclipse:

“Vivi terrivelmente mal, como alguns que vivem na corte, e as vezes, quando meu rosto era só sorriso, senti a confusão da consciência em meu peito. Em vetes alegres e honradas tal tortura tantas vezes mora: pensamos que o passarinho preso canta, quando na verdade chora”. (citando White Devil)

No capítulo A Dialética do Medo:

“Há um claro lamento pelas leis suntuárias feudais que, ao impor um tipo de roupa específico para cada camada social, permitiam que esta fosse reconhecida à distância e a prendiam fisicamente ao seu papel social. Agora que as roupas se tornaram mercadorias que qualquer um pode comprar, isso não é mais possível. Agora as diferenças de posição social têm de ser inscritas mais profundamente: na pele, nos olhos, na compleição física. O monstro nos faz perceber como é difícil para as classes dominantes rsignar-se  com a idéia de que todos os seres humanos são- ou deveriam ser- iguais.” (citando Frankenstein).

No capítulo Pistas:

“O autor está para o leitor como o criminoso para o detetive. Assim como o detetive reescreve a história produzida pelo criminoso, o leitor, suprido com todas as pistas necessárias, pode resolver o mistério e, deste modo, escrever sozinho a história que está lendo.” (citando Watson)

No capítulo Jardim de Infância:

(o efeito da literatura comovente)

“o que a que acontece quando alguém chora? O que acontece é que uma cortina cai entre nós e o mundo. Chorar nos permite não ver. É um modo de nos distrair da visão daquilo que nos incomodou, ou melhor, de faze-lo desaparecer. Chorar nunca coincide Simplesmente com a angústia; não é o seu efeito imediato e inevitável. Chorar nunca coincide simplesmente com a angústia; não é o seu efeito imediato e inevitável…uma reação mais infantil… mas realiza o equivalente  a  um gesto mágico que o faça ir embora.

No capítulo O Momento da verdade:

“um segundo inimigo intratável da tragédia moderna é o dinheiro. É claro que o dinheiro é a personificação primária da acomodação e da ambigüidade: produz doenças e os remédios para cura-las; passa dos cortiços às obras de arte, é resultado da exploração e pode ser usado para a caridade. Definitivamente não há pureza no dinheiro…”

Apesar de teórico, o livro é muito bom.

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