A CABANA DO RIO VERDE

Ouço barulho de passos

Sobre as secas folhas de outono

O vento ainda assovia

Sem entoar nenhuma melodia

As árvores são só galhos

apenas madeira, sem verde, sem vida

E eu aqui, novamente

Na janela dessa cabana

Que já foi vibrante, como nosso amor

Agora é apenas sombria

De tábuas velhas, vidro embaçado pela poeira

E pela respiração morna nesse dia frio

A cadeira de balanço agora range

O crepitar da lenha me faz olhar a lareira

Agora apagada.

Os sons são apenas em mim…

Ainda ouço o carteiro, bicicleta de quatro rodas,

Caixa cheia de mensagens e esperanças,

notícias da guerra, de amor e de morte.

Ele saúda:”Boa manhã!”,

Aceitando o leite fresquinho de minha mão,

Mão que hoje treme de frio e de medo.

O tapete da sala ainda é quente

Uma onça dormindo em nosso chão

E nós, deitados à beira do fogo,

Fazendo confissões passageiras

E juras eternas.

Havia um rio sob a ponte

Onde sentávamos com os pés molhados

Para ver o pôr-do-sol…

Hoje o rio já não existe,

A ponte já não é branca.

Onde havia flores, o mato já invadiu,

Cobrindo o que um dia foi nosso.

Talvez o sol não se põe mais aqui,

Foi se pôr em outro lugar.

05/02/92

Anúncios

4 pensamentos sobre “A CABANA DO RIO VERDE

      • Também escrevi várias poesias quando tinha essa idade, e pelo mesmo motivo, acabei jogando muitas delas fora.

      • Existe uma escritora famosa, Maggie Stefvater, que acaba de lançar um livro que escreveu aos 13 anos mais ou menos, apenas revisou. Que pena que você não guardou! Vai ter que escrever dobrado, agora.:)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s